– Oitava Série. CMAQ

"A poesia é a mínima distância entre o sentimento e o papel" – Levi Trevisan

Dedos de Pianista – Charles Kiefer

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O menino

O primeiro conto do livro mostra-nos um garoto, que em uma tarde de verão qualquer, se mantinha encostado em uma parede de alvenaria, perto de sua casa. Ao imaginar o que viria por comer à noite, acabou por vomitar de nojo e, alguns minutos, após recuperar-se, ficou apenas parado observando os pássaros, refletindo… Pensando. O momento o fez lembrar de seu falecido pai, e em poucos minutos o garoto estava a chorar, com saudades. Ficou ali, nesse estado vulnerável por sabe se lá quanto tempo, até sua mãe o chamar para ir jantar!

Ninguém mais tem respeito pelos velhos

Neste conto é descrito um dia comum do Senhor Leopoldo, um velho inquilino de uma pensão, que perdera a “vontade de viver” devido as suas dores. Perdeu a fé em Deus, e só o que sabia fazer direito era ficar em sua cama agonizando, ou pelo menos… Provavelmente, o único dia em que saía da pensão era no dia de receber a aposentadoria, que ía praticamente toda para pagar o aluguel, que a cada mês aumentava. O homem então, numa dessas, resolveu passar a perna na dona, e gastou o dinheiro da aposentadoria em um restaurante, deixando a outra parte restante para comprar seus remédios caros. Disse à mulher que havia sido roubado. Velho sacana.

Tarde, muito tarde.

Acordado durante a noite pelo pai, o menino teve de ir até o bar, onde o mesmo trabalhava, para conversar com o tio bêbado, que não iria embora até satisfazer sua vontade. Era uma noite fria, tarde da noite, mas mesmo assim, o garoto foi e sentou-se perto de seu tio, ao perceber que ele iria contar alguma história sobre suas viagens e caçadas. O homem começou a falar, descrevendo o local como um caminho sem volta, enquanto fumava e se embriagava mais ainda. O tempo passou e o menino passou a entender as palavras do tio no futuro, sua conotação tomou forma, porém, o menino não tinha nenhum sobrinho para quem informar sua última viagem, mesmo assim, era uma noite muito fria, e muito tarde.

A navalha

Após a morte de sua esposa, o ex-barbeiro Antonio de Sousa Gomes passou a se alojar em um asilo. Lá, sua vida era um tanto monótona. Acordou cedo, muito cedo, – para poder ocupar o banheiro antes dos inquilinos levantarem e reclamarem da demora – e se arrumou no banheiro. No caminho de volta topou com dona Ritinha, cumprimentam-se e depois ele volta para o seu quarto, onde ficou lendo um livro por algumas horas, à espera do tempo passar. Tal pratica o fez atrasar-se para a primeira refeição. Não quis almoçar e se perdeu em imaginações de como poderia ter passado este dia, que para ele era tão especial, na praia, com seus netos. Mais tarde retornou para seu quarto e ficou deitado até alguém o importunar batendo na porta, pedindo para barbeá-lo. Seu Antônio, de muito mau gosto acabou cedendo, e somente à noite, após o jantar, teve tempo para descansar, sentando-se à janela da sacada e abrindo a navalha contra a luz da noite, percebendo-a fosca… Morta.

Dedos de pianista

Pedro era um garoto sonhador! Ia para a escolha sem prestar a atenção em quase nada, isolando-se de tudo. Porém, em certa manhã, enquanto fazia seu trajeto matinal, surpreendeu-se com o som de um piano surgindo de um casarão na esquina 7 de Setembro. O garoto, então, ficou imitando o tocar do piano com suas mãos e, assim, foi se sucedendo até em casa, quando comentou com sua mãe o súbito interesse em música, em tocar piano. A mãe animou-se com a confissão e alegou ter um dinheirinho extra no banco para alguma coisa importante. Prometeu comprar o piano para que ele pudesse tocar, e ela cantar junto. No outro dia, o menino estava um poço de nervosismo, à espera de seu piano… Infelizmente, quando ouviu a mãe chegando em casa, decepcionou-se ao ouvi-la lamentando o preço excessivo do piano, e tendo em suas mãos em violão.

Meu comentário:

O livro apresenta uma série de contos, a maioria deles retratando partes das vidas crianças, adultos, ou qualquer coisa similar. Os contos são divertidos, focalizam os personagens em situações diversas diárias e possui uma linguagem de fácil compreensão. Os focos narrativos divergem entre a primeira e a terceira pessoa, então, conclui-se que em alguns contos o narrador é também personagem da história e, em outros, o narrador não participa da história, porém, tem conhecimento suficiente para contá-la.
Com relação ao tempo, percebe-se que predomina o tempo cronológico, ou seja, é possível identificar nas histórias a passagem do tempo, através da indicação de horas e do uso de advérbios temporais.

– Luísa

Written by oitavacmaq

Agosto 26, 2009 às 9:09 AM

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Uma resposta

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  1. Muito bom, Lu! Já li Dedos de Pianista, e, sem dúvida, é uma ótima crônica, além das outras que integram o livro. Parabéns.

    – Nanda

    oitavacmaq

    Agosto 31, 2009 at 8:18 PM


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